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Talk to me, now i’m older.

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Pela primeira vez na vida eu me senti velha. Não, não me senti velha. É uma coisa meio difícil de explicar.

Fui num bar. Um que eu vou sempre até, um bar legal. É verdade que eu não queria sair. O dia tava pedindo pijama, sofá, filme e chocolate quente. Só me encapotei e saí de casa porque um amigo passou o mês pedindo pra todo mundo ir assistir o show da banda dele. Sei bem o que é convidar as pessoas pra algo que você vai fazer e ninguém ir. Em consideração ao amigo, pedi desculpas ao sofá, ao pijama, ao filme que minha mãe alugou e ao choconhaque que a minha irmã fez – e eu estou tomando agora, 1:15 da manhã – e fui.

Encontrei pessoas que estudaram comigo e eu não via há tempos. Vi gente querida, conversei com pessoas que não são as de sempre – e com as de sempre também, que fazem tudo, TU-DO, ser mais divertido. Dancei Strokes e me lembrei de quando eu tinha 14 anos.

Tinha bastante gente no bar. Poucos rostos conhecidos, coisa difícil de acontecer em Londrina. Os lugares que eu costumo frequentar têm sempre o mesmo tipo de gente. Sempre as mesmas pessoas. O que eu encontrei no bar foi um pessoal de 15 a 17 anos, alguns me eram familiares. Lembrava deles com o uniforme do Marista, estavam na oitava série ou no primeiro colegial quando eu estava no terceirão.

Agora vou tentar explicar a teoria que eu elaborei. Ou o que eu percebi hoje. Não é que as pessoas se sentem velhas. O que acontece é que você percebe que a juventude tá cada vez mais pau no cu e doí perceber isso. E eu ainda nem to falando da Família Restart. Quando eu tinha essa idade, meu irmão olhava e dizia: “Nossa, com essa idade eu fazia tal coisa…” E é verdade. No bar tinha uma galera meio playboy-pagando-de-rocker – e convenhamos que podia ser pior -, mas eu duvido que qualquer um daqueles moleques com cabelo de argentino, allstar e camisa xadrez já tenha escutado um disco inteiro do Clash ou dos Stones ou tomado tubão na calçada.

Enfim, eu não to velha – ainda acredito tanto nos meus 18 anos quanto as crianças que escrevem carta pro Papai Noel no Natal acreditam nele. Só tenho a mais absoluta certeza de que a juventude tá cada vez pior. Eu com 14 anos era mais tosca que os meus irmãos e essa criançada é bem mais tosca do que eu era, o que me faz ter menos vergonha de ter gostado de Sandy e Jr quando eu assisto este vídeo.

E é isso. Só queria dizer a todos os trintões que me vêem e se sentem muito, muito velhos, que pela primeira vez na vida, eu entendi o que vocês sempre dizem. Mas ainda continuo achando que velho, velho mesmo, só fica quem quer.

O Is this it?, primeiro disco dos Strokes, foi o que mais marcou a minha adolescencia – apesar de eu achar o Room on fire bem, BEM melhor. Nunca vou me esquecer do dia em que eu achei a edição especial com dvd do Is this it? no Condor. Foi meio que o divisor de águas. Acho que isso foi um pouco depois do meu aniversário de 14 anos. O Is this it? virou minha maior referência musical até eu ganhar o Velvet Underground and Nico, no meu aniversário de 15 anos.

E eu me diverti, no fim das contas.

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Uma resposta »

  1. É uma boa teoria. Prefiro acreditar nela do que pensar que estou ficando velha de verdade.
    Tenho 19 anos e to achando essa juventude tão absurda, mas tão absurda que passo horas pensando sobre isso, e pensando no que as pessoas de 19 anos ou mais pensavam de mim quando eu tinha sei lá, 15 anos.
    Eu tenho mesmo que parar com isso de me achar velha e aceitar que a juventude que tá uma #erda.
    (:
    Adorei teu blog.
    Beijo beijo.

    Responder

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