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Just too much.

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E tem dias em que a gente olha em volta e se dá conta de que as coisas não são mais exatamente como eram ou como gostaríamos que fossem. Ainda bem que as vezes, no meio da bagunça toda, dá pra parar um pouco e fazer uma meia dúzia de coisas que a gente sabe que vão nos colocar um sorriso na cara.

Saí de casa de carona, desci no calçadão, fui ao banco, lembrei que tinha que trocar dinheiro, resolvi ir na lotérica antes. Lembrei que esqueci de pegar o papel com os números anotados. Saí da lotérica.Uma mulher gritou:

Maria!

Olhei pra trás e vi a Maria, uma menina de cabelos pretos, uns três anos de idade e roupa rosa. Maria corria na fonte do calçadão. Sempre quis fazer isso, mas eu tenho uma trava de gente grande que não me deixa. Todo mundo já quis fazer. A Maria foi lá e fez.

Cruzei o calçadão. Vi quiosques faltando, mãe e filha dividindo um saquinho de amendoim doce e dois caras escutando música alta – e horrível – no celular. Foi aí que me lembrei de pegar a baleia pra escutar Caro Emerald. Só tenho escutado Caro Emerald, mas por algum motivo, a baleia não toca That Man. Passei na Leo, nenhum esmalte me empolgou. Saí de lá com um alicate novo.

Voltei pro banco, tive que trocar mais dinheiro, consegui fazer o depósito. Indo pra lotérica, vi um ex-caso de uma amiga, tive saudade dela e das nossas bagunças pela cidade, vi aquele outro cara, mais uma conhecida, uma mulher nervosa falando “Haja paciência”, dois fotógrafos tirando fotos de um sanfoneiro.

Liguei pra minha irmã, joguei na Mega-Sena os números que meu pai disse, cruzei o calçadão de novo, passei pelo caminho de sempre (que é um caminho que eu sempre faço questão de fazer, só pelo prazer de passar por determinados lugares, independente das voltas que eu dê), esperei o ônibus.Tinha um monte de moedas na carteira, mas não somava R$2,10.

Entrei no ônibus, sentei na cadeira dobrável do espaço pra cadeirante. Quase na hora de descer, entra um menino com a perna quebrada. Dei lugar. Um velhinho brincava com uma menininha morena sentada na frente dele. Uma mulher com um bebê no colo sentada perto da janela me cutucou e me estendeu um pacote de bolachas. Sometimes it seems that the going is just too rough/And things go wrong no matter what I do/Now and then it seems that life is just too much/But you’ve got the love I need to see me through.

Não tinha entendido nada. Tirei os fones de ouvido e ela repetiu que era pra oferecer pra menininha morena. Ofereci e fiquei sorrindo pra ela. Devolvi o pacote pra moça. Transmiti o agradecimento da mãe da menininha. Ela olhava desconfiada pra bolacha. Passava os dedinhos no recheio e colocava na boca. O ônibus virou a esquina, puxei a cordinha, encontrei meu tio na escada. Dei oi rápido.

Faz tempo que não vejo o recepcionista simpático do hospital. Me peguei dançando Brown Sugar em frente ao elevador. Entrei. Continuei a dançar. Não ouvi a anãzinha.

Foi um bom dia.

Agora eu tenho um Tumblr.

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  1. Compartilho da vontade de correr na fonte do calçadão.

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