Assinatura RSS

O que me faz ficar em pé.

Publicado em

Bom, vamos lá. A vida continua e esse é só o começo de uma série de textos cheios de lembranças – como se alguma vez na vida eu já tivesse escrito sem lembrança – e melancolia. Então se você vai mesmo continuar lendo este blog, prepare seu lenço…não, mentira. Porque a gente chora, mas também, ri, né? Meu pai me fez rir até o fim.

Agora as risadas vão vir das lembranças. Do que ele dizia pras enfermeiras (“Se eu ganhar na Mega Sena, te mando pra um spa e resolvo sua vida!!“), das tirações de sarro da Vó Gera, de mim e de todas as outras pessoas.

Acho que eu to conseguindo tirar forças dessas lembranças e de todas as pessoas que me abraçam e tentam dizer alguma coisa. E eu preciso agradecer todas essas pessoas.

Primeiro, a minha família. A perda do meu pai não foi uma perda só da minha mãe,  dos filhos, dos irmãos, da sogra, dos cunhados e sobrinhos. Foi de toda essa família enorme e maravilhosa onde graças à Deus eu vim nascer. Essa família que me fez crescer até aqui e que junto com os meus pais, me fez ser o que eu sou hoje e me faz querer melhorar a cada dia.

É essa família (e olha, não vou mais dar adjetivos não) que se ajuda o tempo todo, que vem nos dando apoio desde a internação do meu pai e que meu pai, por sua vez, também ajudou quando pôde. E vai ser assim. Tenho dito que, agora que a casa tá cheia, fica todo mundo anestesiado, ri junto, acorda, come e dorme junto, mas que quando cada um for pra sua casa e a vida for voltar ao normal, quando a casa esvaziar…várias pessoas me disseram que a casa não vai esvaziar. E isso nos conforta na medida do possível. Ainda bem.

Eu não vou citar nomes, mas queria agradecer todos os meus familiares que estão com a gente nessa. Agradecer os discursos no velório e no enterro, os e-mails e telefonemas de quem não pôde vir e sentiu muito, quem veio correndo, quem vai vir, quem liga pra saber como nós estamos, quem abraça e chora junto…agradecer todo esse amor que envolve a gente e nos faz levantar da cama e encarar a vida no dia seguinte.

Os amigos também têm me ajudado muito e se colocado à disposição. Também não vou citar nomes, que cada um deles sabe da importância que têm. Vieram os amigos antigos do Marista, do teatro, as amigas da infância, gente com quem eu não falava há tempos, mas tenho a grande consideração e os mais recentes, da universidade. Me emocionei quando vi quase toda a minha sala no enterro, e aquele abraço coletivo foi muito, muito reconfortante (existe essa palavra?). Assim como os recados em todas as redes sociais, e-mails queridos, mensagens no celular, telefonemas e até uma carta (e olha aqui, tô esperando a original, na sua letra, entregue em mãos com um abraço, numa festa com ressaca no outro dia e almoço de domingo esperando. E isso vale pra todos vocês que tão longe, cada um com a sua história).

O mais engraçado é saber que muitos dos meus amigos não conheciam o meu pai. Ou conheciam muito pouco. Houve quem dissesse que pelo que ouvia, esperava a oportunidade de conhecê-lo. Quem conhecia, se lembrava das risadas, das tirações de sarro e também das coisas sérias que ele costumava dizer pra gente.

Lembro que meu pai sempre dizia pros meus amigos que uma das coisas que ele mais gostava na convivência com os filhos eram os amigos. Os meus amigos e dos meus irmãos – e primos – eram amigos do meu pai. E de uma forma ou outra, muitos desses amigos de todas essas pessoas que o Betão ajudou a criar, se manifestaram, lembrando de uma história ou outra, de alguma ajuda que meu pai deu ou simplesmente de alguma boa gargalhada que ele provocou.

Também quero agradecer a todos os amigos do meu pai. Os da igreja, do colégio (que me arrancaram um sorriso na hora de fechar o caixão sendo exatamente como o meu pai era), do bar, do Buffet, os garçons – que nos disseram coisas muito emocionantes -, eletricistas, jardineiros, vizinhos e todas as pessoas com quem ele convivia.

Minha mãe comentou que as pessoas não aproveitam a vida para dizer o quanto gostam das outras. É verdade. Mas foi bonito ouvir tanta coisa boa, dizer que o Betão ajudou, Betão fez rir, Betão foi um pai, Betão foi um grande amigo,  Betão era um cara foda.

Ficou tudo meio sem pé nem cabeça, mas eu tô escrevendo porque preciso.

A missa de sétimo dia é domingo, dia 8, dia dos pais, na Paróquia Nossa Senhora da Paz, as 19h.


Anúncios

»

  1. Paola Moraes

    não ficou sem pé nem cabeça, não.
    eu, pelo menos, entendi e gostei do texto positivo. :)

    Responder
  2. Marina!!!!

    Primeiramente meus mais sinceros sentimentos pela partida do seu pai, fiquei sabendo apenas ontem com um e-mail da Ju.
    Nesse seu lindo texto vc disse tudo, e como seu pai acolhia a todos como se fosse da familia…é uma pena a partida dele tão cedo, uma pessoa que só trazia alegria para as pessoas que estavam perto dele.
    Mas muita força pra toda sua familia, que como vc mesmo diz é enorme, linda, abençoada e unida, que eu amo tanto.
    Parabéns pela sua lindas palavras viu, está no caminho certo menina…bjo grande e saudades de vcs e saudades para sempre do Betão….

    Responder
  3. só pra constar: ainda leio seus posts às escondidas. gosto tanto.

    beijos

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: