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Por favor, passe adiante.

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A única coisa que me faz pensar em desistir do curso de jornalismo não é o salário baixo. Nem o mercado. Nem o bando de coisas que diversos jornalistas já me falaram da profissão. Com isso tudo a gente convive.

A única coisa que me faz repensar e analisar bem cada linha que eu escrevo em uma matéria é o medo de fazer alguém sentir aquilo que eu senti ontem, quando li a capa da Veja (a saber: “Não agüento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (…) Eu quase fui preso como um dos aloprados” – Pedro Abramovay”.)

Gilberto não só é meu tio, como é uma das melhores pessoas que eu conheço. Podia escrever uns três posts sobre a história dele pra defender sua inocência nisso aí, mas vou ser breve. Há oito anos ele é saco de pancadas e aguenta umas matérias duvidosas da mesma Veja.  É o homem mais próximo do presidente e imagine só o estardalhaço que causaria se pegassem uma falha dele. É o que estão tentando fazer. Como não tem falhas, inventam.

Eu tenho minha consciência bem tranquila sobre o meu tio. Mas eu sou uma em milhões desse país. Por isso, se você não conhece o Gilberto Carvalho e já vai sair por aí repetindo o que a Veja e o Estadão dizem (sabemos bem as características dos dois veículos), eu peço com todo o meu coração que leia com atenção o que vou colar aqui:

 

NOTA DE PEDRO ABRAMOVAY 

Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da
República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar,
elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não
participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha
eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o
áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de
trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da
suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.
Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a
construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito
orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no
Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos
Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus
pares respeito decorrente de meu trabalho.

 

Do advogado de Gilberto de Carvalho sobre o Estadão:
” O Estadão passou de qualquer limite. Ontem dei uma entrevista para o Fausto Macedo explicando que o Gilberto Carvalho, de quem sou advogado, só estava constando da Ação Civil Pública da corrupção dos ônibus de Santo André pq o irmão do Celso Daniel, o João Francisco havia feito uma acusação sem prova nenhuma de que o Gilberto lhe teria dito que levava dinheiro vivo para o PT.
O Gil negou tudo, ficando a palavra de um contra o outro. Não há nada que confirme isso e mais que isso o João Francisco já é famoso por se retratar das acusações que faz. A prova é tão frágil que o Juiz negou todos os pedidos do MP de bloqueio de bens e quebra de sigilo do Gil.
O MP recorreu da decisão do Juiz e não conseguiu nada. Expliquei que a ação só prosseguia contra o Gil pq esta é uma característica da Ação Civil Pública, ou seja, a ação deve ser instaurada por conta de sua natureza de interesse público, mas já se sabe que o Gil será com certeza absolvido.
Brinquei com o jornalista e disse-lhe que se eu o acusasse de pegar dinheiro público para comprar um motel nas Bahamas, ele conhecesse os compradores e lá tivesse um dia se hospedado, se fosse movida uma ação civil pública, certamente ele responderia por ela, mesmo que eu e ele soubéssemos que era tudo mentira. Enfim um papo descontraído onde expliquei as questões técnicas e demonstrei a inocência do Gil.

Hoje sai que eu, “procurado pela redação” não respondi até o fechamento da edição. É demais não. Quem puder manda para blogs, listas, o que for. Vamos desmentir essa imprensa marrom.
Luis Bueno de Aguiar

 

Do Blog do Luis Nassif: (leia aqui o texto todo)

Ocorre que nem a frase foi pronunciada nem Veja tem como sustentar a veracidade do que destacou na capa (gostosamente reproduzida por Estadão, Globo e Folha). A negativa de Abramovai está escondida no quinto dos nove longos parágrafos da matéria.

Trata-se de mais uma reportagem ao estilo Mister M, que tem caracterizado a produção recente da que já foi a mais importante revista brasileira. É o jornalismo ilusionista, que recorre a uma série de truques para distrair a atenção do leitor e fazê-lo acreditar nos poderes mágicos da reportagem mentirosa.

É tudo o que eu tenho a dizer. Se você também não concorda com esse circo de acusações e mentiras, com esse jogo sujo que tentam nos empurrar goela abaixo, ajude a divulgar este post.
Valeu aí todo mundo que tá ajudando a repassar a mensagem. Até agora, em menos de um dia, o post foi visitado 150 vezes. Chega de fazer estardalhaço por bolinha de papel na cabeça e inventar denúncias com argumentos insustentáveis.
Fiquei feliz pelos retweets de amigos que podem discordar politicamente do que eu penso, mas que defendem a verdade e trabalham pra que ela seja espalhada e que o jogo seja limpo.

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Uma resposta »

  1. Quisera eu que fosse a última – ou única – mentira que a Veja publicou em sua capa ou qualquer de suas páginas.
    A Veja, bem como o Estadão que você colocou, e veículos menores, citando até mesmo O Bonde, como eu e o Danylo estávamos percebendo esses dias *, são tendenciosos. A parcialidade por si só já é nojenta, mas a mentira é pior ainda.
    Se por um lado sujam a imagem de pessoas inocentes ou aumentam casos mortos, pelo menos nos fazem perceber quem é que realmente manda na mídia nesse país.
    É uma pena que nós, dando uma de Glauber Rocha, com uma ideia na cabeça e uma caneta na mão, não vejamos saída para mudar essa realidade. Muitos de nós, estudantes de jornalismo, irão se corromper, outros desistirão desse universo e a grande maioria será redator de notas frias sem qualquer impacto sobre o curso das coisas. É realmente uma pena.

    Gostei do seu post, Marina, com certeza será repassado.

    * o que eu e o Danylo notamos foi dessa última vez, há pouco, em que o Serra esteve em Londrina. A manchete do site era incriminando alguma pessoa com relação mínima com a Dilma Rousseff, e o link abaixo deste falava sobre como Sr. José Serra havia se sentido mal no aeroporto de Londrina. Sem adentrar muito no assunto, passamos realmente por um caos aéreo ao longo desses oito anos, mas a classe média nunca “voou tanto” como nesse período. Só que O Bonde achou por bem criticar o serviço e colocar no finzinho da matéria um citação do Serra dizendo, grosso modo, que quando fosse presidente mudaria essa situação. Ou seja, suja a Dilma em cima e fala uma merda dessa embaixo. Lembrando que o perfil de quem viaja de avião é similar ao de quem lê portais noticiosos todos os dias, temos aí um caso de parcialidade ou não?

    Minha intenção não é falar do Bonde, é só me lamentar por essa e tantas outras situações.

    Responder

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