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Recesso.

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É engraçado passear pelo país.

Cheguei em Brasília as 9h da manhã. Lá é tudo muito sério. Lembro que ano passado, quando foi a família toda pra festa junina, eu fui com a minha prima Myriam (aniversário dela ontem, inclusive) buscar um tio no aeroporto. Lá ela me ensinou a fazer uma coisa que virou hábito: reparar bem nos encontros e despedidas das pessoas. Lembro também que na ocasião, nós observamos que os encontros ali eram meio sem emoção. E a My me contou de um que ela viu em Madrid, um casal que voltava do Brasil com o filho adotado e o apresentava aos avós. (Na época ainda não, mas agora sabemos bem o que é um encontro desse).

Bom, eu acho que Brasília é assim, tudo meio impessoal. Por outro lado, lá não é nada frio. É calor. E as pessoas são calorosas, todo mundo muito simpático. E tem o sotaque. Aquele sotaque gostoso, que é diferente em cada pessoa, que carrega a origem de outra região do país.

Encontrei minhas primas, minha tia, meu tio, amigas e a Pri (o sotaque mais legal de todos, já que ela é recifense), que ficou andando comigo pra cima e pra baixo, dando risada, ouvindo DR alheia, morrendo de medo dos calangos – que são umas lagartixonas verdes que balançam a cabeça -, rindo das noivas que estavam tirando foto na beira do lago e olhando o Inri Cristo passear com as Inrizetes.

E depois de inventar muita história pra contar pras minhas primas (sou péssima Forrest Gump), ter aquelas conversas com a My, lembrar do meu pai e chorar com o meu tio e trazer a Pri junto comigo, eu voltei.

Voltei pra pirar no Demosul, entrevistar várias bandas, escutar música boa, descobrir sons novos e aprender que eu ainda tenho que comer muito arroz com feijão. E fui de novo.

Dessa vez, lá pra baixo, pro sul, onde é frio e as pessoas tem um outro sotaque que não tem nada a ver com o lá de cima (que eu gosto mais). E acostumada com Brasília e Londrina – que apesar do dilúvio daquele fim de semana, estava quente – esqueci de levar casaco.

E depois de tudo, a minha família se reuniu. Com aquele buraco que fica depois da vírgula e me faz engolir o choro quando eu falo que lá estavam a minha mãe, (é aqui o buraco), minhas irmãs, meu irmão, meus cunhados, minha tia e meu tio. Mas se um homem vai, outro chega. Tem um bebê na barriga da Carol. E é menino, o que me tira a possibilidade de enfeitar a criança com vestidos e lacinhos, como as minhas tias Ana, Márcia e Marilena fizeram comigo. Mas o amor é o mesmo. E tem vários macacões de super herói por aí. E tem muita mulher nessa família.

E foi todo mundo pra serra gaúcha, aquele lugar bonito, cheio de bolachinhas que a tia Marilena comprava, com aquelas pinturas dos alemães, café colonial, cidades floridas e impecáveis. Bonito, mas meio irreal demais. Parece cidade cenográfica. Parece que ninguém mora lá.

Mas mora sim. Em Canela, quando estávamos eu, minha mãe e meu cunhado sentados no banco da praça, chega um gaúcho vestido à caráter, com aquele sotaque e começa a conversar. Pergunta de onde nós somos, diz que tem parentes por aqui (todo mundo que a gente encontrava dizia isso!), começa a contar a história da cidade, da igreja, faz umas piadas e depois diz que é cantor. Canta um pouco e mostra o cd. Dez reais. Diz que só ele pode vender ali naquela praça, que aquilo é uma mina de ouro. -Marilllllda, sabe o que é mina de ouro? Mina de ouro é mina de ouro! Meu cunhado dá um cd de presente pra sogra.

Depois de quase três meses, acho que ainda não tinha visto minha mãe tão feliz e leve como nessa viagem. Depois foi teleférico, cachoeira e fábrica de chocolate. É bem menos emocionante que no filme.

Mas Porto Alegre é que é. A minha Redenção querida continua lá, assim como a Lancheria do Parque, que continua cheia, vendendo rango delicioso a um preço honesto. E as pessoas continuam ouvindo rock e vendendo livros e lps na rua. E o Brique da Redenção ainda tem aquelas flores lindas e um organizador de bolsa – ou refil de bolsa – que eu precisava há tempos e depois dele, o mundo se tornou um lugar melhor pra viver. Não perco mais carteira, nem celular, nem esqueço minha caderneta na outra bolsa.

Semana de Gre-Nal. Não se falava em outra coisa. Todos os taxistas, pessoas na rua, nas bancas, no restaurante. Deu empate. E a campanha eleitoral lá, firme e forte. Gente paga pra segurar as bandeiras do Serra e todos aqueles militantes do PT fazendo passeata. Coisa que há muito não se vê em Londrina.

É que de tudo isso, o melhor foi estar junto com todo mundo. Nesses dias, eu senti muito a presença do meu pai. Parecia que ele estava ali, quieto, andando do nosso lado com as mãos pra trás e observando tudo.

E agora, depois de duas semanas fazendo bagunça por aí, voltamos à programação normal.

 

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  1. Fábio ( Gaúcho)

    Precisa de um refil desses aí para a Clarissinha.

    Responder
  2. Má lindo texto….

    Gosto muito de Porto Alegre e lendo tudo isso passo a gostar ainda mais!!!!
    Espero vcs mais vezes aqui!!!

    Responder

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