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A hard day’s night.

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E depois de muita demora, 2010 vai acabar.

Todo mundo sabe que não foi dos melhores anos da minha vida. É, foi o pior, mais triste e dolorido. Mas 2010 me ensinou muito. E me endureceu também. Aquela velha história de crescer, de ter que pensar e entender as coisas. E no meio da bagunça que tudo virou, me vi obrigada a construir um refúgio aqui dentro que me fizesse doer menos. E que ironia: fui busca meu refúgio na grande causa de toda essa dor, que dizia sempre que a vida é essa, que as pessoas morrem mesmo e que aqui se faz aqui se paga. Tive que absorver aquelas palavras que me disseram naquela tarde (acho que de tantas que disseram, essas foram as mais úteis): você teve um pai em qualidade. Você ainda é nova, vai viver o resto da vida sem ele, mas nesse pouco tempo ele te ensinou o que muita gente não aprende numa vida. E é nesse pouco tempo que eu tenho voltado pra aprender com tudo que meu pai dizia.

Outro dia, numa conversa dessas com gente que faz toda a diferença do mundo, eu ouvi o seguinte: “Marina, eu só quero te dizer que as coisas nem sempre acontecem como a gente espera.” Verdade. E a gente tem que se preparar pra isso também. Tem que se preparar, ponto. Pro que vier. Pra rir até molhar as calças, pra tomar rasteira, se apaixonar perdidamente ou de repente, cair num buraco enorme andando no meio da rua. Vai fazer o que? Tem que trocar de calça/levantar/adaptar a vida/passar merthiolate nos machucados.

E só no fim do ano eu me dei conta de que eu podia ter largado tudo pra chorar no cantinho, mas foi mais fácil enfrentar tudo com um monte de gente querida por perto. Gente que me levantava pelos corredores, me abraçava, chorava junto, que me fazia ter vontade de continuar, de rir, de sair dançando por aí.

Em 2010 eu entendi muita coisa que antes não fazia sentido.

Quando eu era criança, eu passava os dias antes do Natal pensando o que tinha naquela caixa embrulhada em cima do armário da sala. Depois descobria que era meu presente, alguma coisa muito legal que eu nem imaginava. Quando eu era criança, todos os meus irmãos e primos vinham pra cá, tinha festa desde o dia 20, todo mundo passava o dia na piscina e a Vó Gera levava salgadinho e rosca pra gente no fim da tarde, os homens jogavam bola e sempre tinha um que se quebrava. Nem todos os meus irmãos e primos vieram, vai ter pouca gente no Ano Novo, eu já sei o que eu vou ganhar de presente e a Vó Gera tá do outro lado do continente, fazendo a alegria do Natal da minha prima que mora lá por causa do trabalho. É meio triste crescer.

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  1. É Mah, é o nosso primeiro Natal sem as pessoas queridas. Você sem seu pai e eu, sem minha vó querida. É difícil e como você falou, a gente aprende. ah, como aprende!
    Feliz Natal Mah!
    beijãao

    Responder
  2. Má… mais uma vez vc me fez chorar!!!
    É, esse ano não foi nada fácil para nós. Sentiremos saudades no nosso querido Betão.
    Mas como ele mesmo dizia, temos que encarrar a vida e continuar de cabeça erguida e sempre pensando em tudo o que ele nos ensinou!!!
    Beijos e até dia 31!!!! Estamos chegando!!!! Heheheh!!!!!

    Responder

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