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O drama da mudança.

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A mudança. Tá tudo tão bagunçado que eu nem consigo organizar minhas ideias. (Ok, isso deve ser culpa da Terça Tilt de ontem e das quatro horas que eu dormi nessa noite manhã.) Eu nunca fiz mudança na vida.

Dá nem pra andar nessa casa e a bagunça da mudança se confunde com a minha bagunça habitual (o pior é que eu sei exatamente onde começa uma e termina outra.) E eu não consigo encontrar as coisas que eu quero, mas tudo que eu perdi há anos atrás aparece. E o que eu não perdi também. As coisas não param de aparecer e eu já tive que abrir uma das minhas caixas umas três vezes pra pegar ou colocar coisas que ficaram pra trás. É desesperador e parece que não vai acabar nunca mais, que sempre vão brotar coisas do fundo de um armário.

As coisas aparecem mas eu simplesmente não sei o que fazer com elas. Minhas medalhas da patinação. Já foi a época. Aquilo deve pesar uns 2kg e eu não pretendo pendurar no meu quarto. E eu nunca patinei assim tão bem. Aí eu adotei a equação espaço x uso. Claro que não é uma equação com números e proporções porque eu não mexo com essas coisas, mas na minha cabeça é bem claro. Vou ensinar aqui meu método e na sua próxima mudança, você pode usá-lo.

A coisa aparece. Por exemplo, o espremedor de laranjas elétrico da minha mãe. Aí você olha bem pra coisa. Analisa o tamanho dela, onde ela vai ficar guardada na casa nova e do espaço que vai ocupar. E do que você poderia fazer com esse espaço. Aí você precisa se lembrar de quantas vezes usou aquilo no ultimo ano. No caso, o espremedor de laranjas foi usado umas duas vezes. Ele deve ocupar uns 20 cm² e ninguém vai morrer sem ele. Mas minha mãe quis levar. Ok. Minhas medalhas ocupam espaço, são pesadas e vão ficar escondidas em algum maleiro. Não serve. Simples assim.

Tô levando várias lembranças que eu acho que valem a pena e tenho certeza de que vão me arrancar um sorriso quando eu encontrar, mas é nessas horas que a gente descobre que lembrança mesmo tá aqui dentro e ninguém tira. Tô levando todas as cartas, cartões e bilhetes que eu encontrei. Coisa de gente que virou só conhecida, que ainda tá aqui, que tá longe mas tá perto, que eu posso ficar meses sem ver que o amor vai ser o mesmo.  E uma das minhas três caixas de “coisas” – que não são sapatos nem roupas – está identificada como “hidratantes, esmaltes e pincéis de maquiagem”. Eu até consigo ouvir algum comentário do meu pai sobre isso.

Mas o mais perturbador disso tudo é separar a mudança em duas, a que vai pro apartamento novo e a que vai pro apartamento dos meus tios, que gentilmente vão nos acolher nas próximas semanas.

Eu só queria que acabasse logo, porque enfiar essa casa dentro do apartamento tá bem mais tenso que transformar entrevista de uma hora em matéria de quatro minutos.

Eu tava mesmo precisando de uma dessas Tilts homéricas, com diálogos memoráveis e gente querida. Obrigada a todos os envolvidos.

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