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E agora, um ano depois de tudo

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É, Betão, já faz um ano. E eu nem gosto de ficar lembrando daquele dia, porque é bem angustiante. Mas sabe, pai, muita coisa mudou por aqui.

Ontem, quando tava todo mundo na sala da tia Ana e do tio Ivan assistindo tv, eu só conseguia pensar em como aquilo era bom e em como tava todo mundo feliz. Muita coisa mudou, pai. E você deve ter acompanhado. A gravidez da Carol, as coisas que eu to fazendo e queria muito que você visse, a gravidez da Clá, o nascimento do Pedro, a mudança, todo mundo aqui na tia Ana, a compra do apartamento novo (bem onde você não queria) e o casamento da Kate Middleton (que eu tenho certeza absoluta que essa é uma piada que você faria).

Durante a mudança, eu e a mãe ficávamos nos perguntando “Será que a gente ia mudar se ele estivesse aqui?  O que será que ele ia falar?” E você realmente dizia que só saía daquela casa pro Parque das Oliveiras.

E eu nem vou ficar falando do quanto você faz falta, porque faz mesmo e todo mundo sabe disso. Mas mais que tudo, mais que a dor e a saudade, o vazio e a falta, eu aprendi muito com você nesse ano, pai. Aprendi sobre a morte e nunca vou esquecer que há um ano atrás, quando você já tava meio lá meio cá, o Dani teve uma conversa muito séria comigo sobre as pessoas morrerem e sobre a vida ser assim mesmo. Ele, com todo o peso de ser dali pra frente o homem da casa, me dizia isso num tom muito sério, mas muito seu, pai. E eu me lembro que enquanto ouvia ele falar, pensava que ele era tanto seu filho quanto eu – bem antes, ainda – e que a dor dele era a mesma que a minha e das meninas.

Nesse ano eu aprendi que o que fica mesmo são aquelas pequenas coisas que você sabe bem. No último dia da casa, quando eu fui lá no canil, me lembrei de você alimentando os 10 filhotes da Mocinha e de como você ficava feliz fazendo aquilo. E sempre que a tua lembrança aparece, ela vem acompanhada de um sorriso ou gargalhada, quando tá todo mundo junto.

E sempre que eu começo a ter umas crises de choro, quase consigo te ouvir: “Mas chorando? De novo?Ou então, imagino os comentários que você faria sobre certas situações.

Sabe pai, a gente vai aprendendo a conviver com isso. E eu tenho bem claro que você foi um pai em qualidade. Nesse ano, falei de você pra várias pessoas que me falaram “é, eu tenho pai vivo, mas não me dou bem com ele”. Sei que mesmo que você não esteja por aqui, daqui uns 10, 20 anos, eu ainda vou entender muita coisa que você dizia.

E agora, Betão, um ano depois, eu não quero lamentar sua perda, nem falar da falta que você me faz. Um ano depois de tudo, eu só quero te agradecer por ter existido.

Assim, só pra constar mesmo: escrevi isso quase sem chorar.

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  1. Sinto muito pela sua perda, nem imagino como deve ser. Como sempre, você escreve maravilhosamente bem e sempre me inspira a continuar tentando acertar meu jeito com as palavras. Grande abraço.

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  2. marcioantunes75

    Caraio. E eu li chorando. Vc é foda, Ma!

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  3. Muito bom…

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  4. Otavio (pai da Lu)

    Chorei… Bjs

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  5. sempre lembro do meu amigo falando do valor dos seus Filhos e sua Esposa isso mostra o quanto ele tinha razão de ter conquistado uma grande familia … Valeu Marina…Valeu Betão…

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  6. Má, é isso aí! Temos que continuar a tocar a vida, e sempre lembrar do Betão sorrindo, e SEM CHORAR… Mas isso ficou difícil quando li seu texto. Cada dia sinto mais orgulho de você e da sua facilidade em colocar seu sentimento no papel.
    Te amo, sempre!

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  7. Há poucos minutos eu estava justamente escrevendo sobre pais. Não sobre o que eu também não tenho, mas sobre o dia deles que se aproxima. Se eu já estava com aquele angustiante nó na garganta, agora, ao ler seu texto, tive que fazer um esforço tremendo pra conter os olhos marejados. Pai, quanta falta faz.

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  8. Má, é muito duro esse dois de agosto. Mas temos que conviver com isso, né. A dor sempre vai existir, temos que lembrar do pai só dando gargalhadas. Esse texto não ter como não chorar. Parabéns….

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  9. Renata Ressinetti Dias

    É Má… dizia um sábio homem, há muitos anos atrás…seu nome era Jesus de Nazaré…Ele dizia que de tudo, no final, restará apenas o AMOR!!!
    Fique sempre com Deus…

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