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História de amor

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Aí a gente que é mulherzinha, assiste esses filmes de menina e quase se desidrata de tanto chorar e pensa que nunca vai encontrar um moço igual aquele. Que se um dia você estiver toda louca no Alzheimer, nenhum cara vai querer ser aquele velhinho que vai morar na clínica com você pra te contar todos os dias a mesma história de amor.

Porque tudo que você tem é um moço de de vez em quando, em quem você pira mas ele nem se importa muito. E você tem aquela amiga que sempre te diz “Gata, ele tem um letreiro luminoso na testa. Tá escrito ‘filho da puta’. E pisca.” Você não ouve, porque afinal de contas, você é grande e sabe o que está fazendo. Mentira. Você é uma tonta e o cara não tem nada, nada de mais.

E aí você assiste esses filmes de menina e chora uns três oceanos achando que nunca nunca na vida vai ter uma história daquelas. Eu não acredito em contos de fadas, mas acredito no amor e em histórias bonitas. Também acredito que essas histórias bonitas não são escritas assim, de uma hora pra outra, com qualquer um.

Na última semana, mais de um ano depois da morte do meu pai, vi minha mãe lembrar dele de um jeito que eu ainda não tinha visto durante todo esse tempo. Meu pai foi o primeiro namorado da minha mãe. Ela, a primeira namorada dele. Eles foram o primeiro tudo um do outro. No começo do namoro ela tinha 14 anos, ele, 19. Ele se mudou para Curitiba e eles namoraram por carta durante 4 anos.

Nos últimos dias minha mãe tem vivido uma espécie de “P.S., Eu Te Amo”, relendo todos esses quatro anos de cartas dela e do meu pai. Não li as cartas. Não estou preparada. E acho que é uma coisa muito deles também. Eu fico feliz só de ver todo o amor que brota nela quando ela lê as cartas. Fico feliz de ouvir meu pai fazer minha mãe rir outra vez.

E quando eu vejo isso, penso nessa história deles, que nunca foi fácil. Que no meio dessas cartas, meu pai narra a doença no pulmão e o tempo que ele passou no hospital quando era novo. Que essa história que começou numa brincadeira dançante, sempre foi muito feliz, mas só foi assim porque teve muito companheirismo e paciência das duas partes. E isso que é uma história de amor de verdade.

Nesse ultimo ano, olhei pra minha mãe várias vezes e me perguntei “como ela consegue, depois de perder meu pai, continuar?” Ela consegue porque é uma mulher muito forte mesmo, porque vem de uma família de mulheres fortes, porque tem muita fé. Mas não é só por isso. Quando meu pai estava na UTI, ele perguntou pra ela “Você vai me largar?” Ela disse que não. Ele foi, mas continua em tudo o que eles construíram juntos. Por isso ela continua. E isso que é uma história de amor de verdade.

Eu tinha preparado um outro texto, falando do lugar novo, mas precisava disso. E reparei que neste ano todo, nunca tinha escrito nada sobre a minha mãe. Ela merece.

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  1. Bah, marina. Odeio esses seus textos. Sempre me fazendo borrar a maquiagem, po! :)

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  2. Só pra variar eu me emocionei muito.
    Lindo, Má.

    Responder
  3. Má, não canso de escrever que seus textos são lindos! E você tem toda a razão: a Marildinha é uma mulher muito forte! E ela merece esse texto e mais alguns, não acha?
    Beijos e saudades!

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  4. Lindo texto, Má. E é isso mesmo, nos altos e baixos sempre estiveram unidos. É um amor de verdade como poucos.
    Beijos

    Responder

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