Assinatura RSS

Foi o tempo que dedicaste à tua flor…

Publicado em

Imagem

São três quadras do ponto de ônibus até em casa. Já aprendi a atravessar a rodovia e a me aventurar pelas ruas sem calçadas do bairro novo. Agora, essas três quadras são o que eu tenho pra ir andando e fazendo uns roteiros pra vida. Saudade do centro, quando três quadras era a distância que separava minha casa do Calçadão.

Essas três quadras que me separam do ponto de ônibus são mortas. Dois prédios em construção, uns caminhões e muito mato. Na frente de um dos prédios, a construtora plantou umas quaresmeiras. Enquanto eu passava, vi um galhinho com três flores caído no chão. Trouxe comigo.

Enchi com água uma xícara de café e deixei o galho ali. Aqui do meu lado. Comecei olhar melhor aquilo. Uma flor bem velha, quase morta, outra mais ou menos e uma mais nova. Acho bonito como essas flores vão ficando mais brancas conforme os dias passam. As flores do meu manacá do jardim da casa antiga eram assim também. Nasciam roxas e iam ficando brancas, até caírem. No ano passado, depois da venda da casa, ele floriu tanto que os novos donos nem tiveram coragem de cortar.

Durante as tardes da semana que passou, eu dedicava uns minutos pras minhas flores de quaresmeira. Elas não vão durar muito. Aí eu vi que embaixo de cada flor, tem um botão. Perguntei pra minha mãe se eles iam florescer e ela disse que talvez, filha, tem que esperar. Falou sobre o gineceu e o androceu, alguma coisa em forma de foice e essas coisas de gente de botânica. E eu acho bonito como ela fala disso.

Fiquei esperando com a maior paciência do mundo, do mesmo jeito que meu pai sentava nas cadeiras de madeira na chácara pra esperar algum beija-flor vir tomar água naquela coisa de pendurar que eu esqueci o nome. Acho que eu herdei dele essa mania de sentar e observar. As flores de quaresmeira, as pessoas no calçadão da UEL, os prédios que tão subindo aqui em volta (e só ele entenderia os meus comentários sobre isso tudo).

Aí eu acordei naquele modo zumbi de sempre, assustada e tendo que escolher a madeira dos móveis novos que vão fazer isso aqui deixar de ser um acampamento pra ser um quarto. Só depois de algum tempo fui olhar pras minhas flores. Um dos botões virou flor. E parece que a cor dela realça a cor cada vez mais clara das outras que estão ficando “grisalhas”.

Porque é bom lembrar da alegriazinha que essas coisas pequenas me trazem.

Anúncios

»

  1. E toda vez, desde que o Dani me mostrou seu blog, venho aqui e choro um pouco.. Não pare de escrever, Ma.

    Responder
  2. Má! Fiquei muito feliz de vc voltar a escrever… e vê se não pára mais tá! Beijos e saudades!

    Responder
  3. Daniel Dias

    Eu entendo. :)

    Responder
  4. Que legal esse texto! No primeiro ano de UEL fiz um texto sobre nostalgia e Quaresmeiras. Ficou uma merda terrível, mas lembrei imediatamente dele quando li o seu. A quem interessar possa: http://frasescegas.blogspot.com/2009/09/quaresmeiras.html

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: