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E não adianta chorar pela massa derramada.

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Tem dias que as coisas não dão certo. Sei lá, galera fala nessa coisa de inferno astral, que é antes do aniversário da gente. Eu não acredito em horóscopo porque nunca entendo o que o meu quer dizer. E em inferno astral eu passei a acreditar hoje.

Meu aniversário é domingo. A festa – pros amigos da faculdade, mas quem quiser aparecer tá convidado – é amanhã. Aí eu, que acho um absurdo quando minha mãe e minha avó querem fazer até as torradinhas pro aniversário do meu sobrinho, resolvi me encarregar dos comes. A diferença é que minha avó e minha mãe aproveitam que sempre tem alguém por perto pra pedir ajuda. Eu curto fazer tudo sozinha. Cabeça dura, eu sei.

Aí a cabeçuda fez uma coisa de berinjela que ficou uma delícia. Dona Marilda que temperou pra ficar decente, porque eu não gosto dessas coisas da horta, como diria uma amiga minha. E aí aniversário sem bolo é meio bad, né. E depois da Desirée perguntar se ia ter bolo, achei chato não fazer nada assim (to brincando!)

Bom, optei por cupcakes, que eu faço com um pé nas costas. (Sério, Marina? Faz aí pra eu ver então!). Fazia tempo que eu estava com cupcakes de baunilha na cabeça. Nunca tinha feito. Arrumei uma receita e fiz. Coloquei em forminhas xadrez. Quando deu o tempo que deveria levar pra assar e a casa já estava toda perfumada, abri o forno e minha massa estava uma água. Minha mãe tinha achado aquela massa estranha mesmo. Eu disse que tinha seguido a receita. A verdade é que eu me distraí e desandei tudo. E morri de raiva, fiquei me achando a mais idiota das idiotas e até desejei ser uma dessas pessoas que não se importam em comprar tudo pronto e sabem viver comendo coisas com gosto de supermercado. Minha mãe veio pra cozinha e claro que eu tive que ouvir aquela história do “eu disse que tava estranho, você tem que me ouvir, porque eu tenho mais experiência que você…” E tipos, isso não ajuda. Só me fez ter mais raiva da minha própria burrice. Porque sabe, já é difícil lidar com a própria consciência dizendo “você deveria ter feito isso, isso e isso”.

Primeira cagada superada, desencanei dos cupcakes de baunilha por enquanto e parti pros de chocolate, com a intenção de voltar pra essa receita depois. Aliás, não era a primeira cagada, porque a essa altura, eu já tinha derrubado meio vidro de essência de baunilha na pia e queimado o dedo. Mas isso é normal por aqui, então quase não conta. Fiz aqueles cupcakes de chocolate que eu faço sempre e ficam deliciosos, enchi uma forma, coloquei no forno e enchi outra, com seis forminhas. Abri o forno tomando muito cuidado pra não me queimar de novo e…scataplaft! 

Consigo ver a cena em câmera lenta. Na hora até pensei “Ah não, dá pra salvar!” Não, Marina, não dá. Você fez uma cagada enorme, de novo. Corri juntar as forminhas de metal e as de papel, colocar as de metal na pia e as de papel no lixo. E nessas horas dá uma dor no coração, porque você vê que desperdiçou comida. No caso, doeu também o desperdício de forminha xadrez. Aí eu olhei pra porta do forno aberta e vi que entre os dois vidros dessa porta, tinha massa.

Eu ainda não tinha chorado durante essa epopéia toda. Tentei ligar pra minha mãe, que tá toda linda numa festa e não atendeu. Mandei mensagem pra Ju, amiga fofa que soube bem me consolar no momento de desespero. Falou “limpa tudo, toma um banho e vai dormir. Amanhã você recomeça”. Sábias palavras. Eu não queria limpar tudo. Não queria chegar perto de cozinha porque já estava com a impressão de que qualquer coisa que eu tocasse ia explodir. Minha vontade era jogar toda aquela louça suja de manteiga pela janela e fingir um surto psicótico quando a síndica viesse cobrar a multa. Não fiz isso. Raspei a tigela da massa derrubada enquanto pensava “puta que pariu, que delícia tá isso!”.  Depois liguei o som bem alto e comecei a lavar a louça aos prantos, pensando em como essa história seria uma ótima pra um post.

Aí o telefone toca. E é sempre nessas horas. Engoli o choro e falei pra minha prima Juliana que tava tudo bem. Perguntei se ela sabia como faz pra tirar o vidro de dentro da porta do forno. Ela disse que não. Contei toda a história e ela deu uma risada abafadinha tipos “quem nunca, né?”.  Aí eu fui me ocupar da massa dentro das portas do forno. Morrendo de medo de quebrar e ter que ouvir um “filha, mas por que você não…”. Achei melhor deixar consultar alguém ao invés de fazer outra cagada sozinha. Liguei pra outra prima, Ana Paula. Ela fez curso de cabelereira, de dentista, é formada em turismo e hotelaria, já trabalhou como recreadora em resort, já passou por cozinhas de vários países do mundo, é professora dos cursos de gastronomia e turismo e hotelaria e mestranda em administração. Além de ser especialista em etiqueta. Ela deve saber tirar o vidro de dentro do forno.

Quase chorando, contei a história toda. Ela gargalhava do outro lado do telefone. Gargalhava. E isso me faz lembrar que ela também tem umas histórias assim (muito piores!), que dariam ótimos posts.  Bom, ela não sabia tirar o vidro do forno. Como é bem menos ajuizada que eu, me falou pra jogar água na porta. Coisa que eu não fiz, porque certeza que ia inundar a cozinha, cair e quebrar o coccix, além de não resolver meu problema. Achei o manual do fogão na internet e tenho uma leve noção de como faz, mas resolvi não voltar mais pra cozinha hoje. Não tinha nem jantado, pedi um lanche. Vou fazer as unhas e amanhã resolvo tudo isso e vou linda pra minha festa.

A moral da história, minha gente, é que não dá pra chorar pela massa derramada entre os vidros do forno. Quer dizer, a gente até chora, mas tem que fazer isso virar uma história divertida depois.

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  1. Tô me sentindo tão responsável que você não faz ideia. Pela caca, claro. Saber transformar isso em uma história engraçada foi mérito teu, hahahaha!

    E amanhã é dia de festa, Antônio!

    Responder
  2. Florzinha de áries que curte fazer tudo sozinha. Não ligo se não tiver comida na festa, mas vc tem que estar inteira! : )

    Responder
  3. Juro, a gargalhada foi inevitável, porque a emoção com que você foi contando a sequencia dos fatos foi demais, foi uma mistura de sentimentos, de dó e de tipo como você é estabanada marinoca…..mas é isso ai, já pensou como a vida seria chata sem noites como essas? Amo vc e espero comer o seu cupcake de baunilha um dia, na verdade, agora fiquei até com desejo, e der pra por uma nozes como tops, melhor ainda, e olha que desejo de grávida não pode ser negado heim. hahahahahhaa… amo vc ,,,,,,

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  4. Marilda Carvalho Dias

    Marina, que bom que você errou a massa, derrubou, é assim que a gente aprende, é fazendo! Você é minha filha querida que desde pequena já fazia bolo, que adora o pr do sol, as flores, tudo que é belo, que dá gargalhadas gostosas e ama com intenso amor seus irmãos, sobrinhos (aaii mãe, que saudades do Pedro e do Miguel), que ama a famíiilia e seus muitos amigos, que tem ideal e almeja ser alguém que com certeza onstruirá uma vida de realizações, com dedicação e ética. Amanhã, 21/03 virá a maioridade, mas você sempre foi uma menina madura e que sabia bem o que queria e continua sabendo. Você sabe… o Betão te amava muito e tinha orgulho de você. Todos nós te amamos e desejamos toda felicidade. Que Deus a abençoe hoje e sempre. De sua mãe!

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  5. Helena de Barros Mendes

    Querida Marina

    Adorei essa história… e não adianta mesmo chorar pela massa derramada, senão a gente corre o risco de chorar a vida inteira… pela massa derramada por entre os vidros do forno…
    pelo ralo da pia… no balde de lixo… num buraco no fundo do quintal (pra minha mãe não ver)… no chão da cozinha (que o cachorro adorou!!!), entre outra situações… inclusive a
    da própria vida quando derrama massa sobre a gente…
    O fato é que, ao longo de quase 60 anos, também já derramei… já solei, por esquecer o fermento ou acabar o gás… já coloquei farinha demais e virar uma pedra… já quebrei ovo podre direto na massa… sem contar que minha primeira lazanha foi um desastre: não cozinhei a massa, só escaldei… virou um chapéu velho!!! Meu pai e o Mário (meu noivo na época) comiam pelo meio e diziam estar uma delícia, para abrandar meu choro… não sei como o Mário não desistiu do casamento!!! Enfim, tudo faz parte do aprendizado, mas os acidentes de percurso continuam acontecendo: Dia desses resolvi fazer maionese caseira… que desastre!!! Usei todos os truques culinários que sabia, nada deu certo… acabei desistindo. A coisa desandou de tal forma que cheguei à conclusão que a galinha só podia estar com diarréia no dia em que botou aqueles ovos…
    O melhor disso tudo é encarar a vida como uma grande festa, agradecer a Deus pela nossa existência e saber se alegrar com as pequenas coisas, até mesmo com a massa derramada.
    E como você bem disse: fazer tudo isso virar uma história divertida depois, principalmente hoje no dia de seu aniversário!
    Parabéns!!! Felicidades mil!!! Muitos e bons anos de vida, plenos de realizações.
    Que você continue sendo essa menina meiga, graciosa, sempre sorrindo para a vida.
    Beijos, com saudades.
    Heleninha

    Responder

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