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Do muro da casa da esquina.

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Foto da Larissa Ballarotti, prima que também brincou muito nesse muro.

E eu me peguei morrendo de saudade e com milhares de lembranças na cabeça ao ver a foto desse muro. Sim, um muro. Esse é o muro da casa onde minha bisavó morava. Era a casa que cheirava café com bolo de fubá nas tardes de domingo. Era a casa que passava as tardes com a porta da frente aberta, porque ela gostava de ficar olhando a rua.

Esse muro que dividia o jardim da vó Helena e a rua. Quando eu era criança, ele era a fronteira do meu reino. Tirando joelhos ralados, picadas de abelhas e mãos espetadas nos espinhos da roseira, nada de mal acontecia dentro desse muro.

Tinha a grama fofinha, o arbusto de erva cidreira, o boldo, o pé de romã, a figueira, roseira, uma árvore alta de tronco fino, uma planta que parecia uma casinha com flores cor-de-rosa, uma árvore daquela flor vermelha que solta leite e enfeita as coisas no Natal, um pé de bucha, uma mangueira e uma planta alta e densa onde eu escondia as coisas.

Além de brincar no jardim, eu gostava de brincar no muro. De cruzá-lo de ponta a ponta e ainda pular pra dentro da casa da minha vó, que morava do lado. Daquele muro, eu conseguia ver toda a movimentação das duas ruas que passavam pela casa da esquina. Sabia tudo que acontecia nos reinos vizinhos.

Engraçado como um muro pode trazer tanta coisa. E não é só pra mim. Acho que todo mundo que foi criança na época da vó Helena brincou nesse muro e tem suas lembranças dele. O muro não é mais a divisa do meu reino, nem fica a alguns passos na minha casa. Ele está ali ainda, meio fraco, mas já não protege um jardim tão bonito. Já não me protege de todo o mal. Ainda assim, toda vez que eu passo pela casa da esquina, esse muro me enche de ternura.

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  1. Daniel Dias

    Eu lembro do pé de manga no fundo da casa, de quantas vezes Lu, Anibal, Alexandre, Rubens e eu subimos lá se catar fruta. Até as meninas se aventuravam por lá, Vivi, Ju, Eliana. Depois ficaram com medo de descer. hahahahahaha
    Acho que foi cortado quando você era pequena.

    Tenho muitas saudades da vó e do vô, dele chegando a cavalo do sítio, antes do derrame. Dela botando a gente pra ralar milho e carregando aquelas panelas imensas. Eu lembro que pensava “como essa velhinha consegue carregar uma panela desse tamanho cheia de polenta?”

    Essas lembranças e muitas outras é o que me fazem seguir em frente quando tô sozinho nos domingos frios de Curitiba. :)

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  2. Helena Mendes

    Bela foto! Se esse muro falasse teria muitas, mas muitas, histórias pra contar!!!
    Uns cinquenta anos ele tem, com certeza!!! Lembro-me dele desde pequena (9-10 anos),
    circundando um capim alto, onde os cachorros do vô Aníbal deitavam e rolavam… e a
    meninada também… depois dava uma coceira danada!!! Parte dele foi demolida quando da
    construção da casa nova do vô (onde a Ju morava)… antes disso ele abrigava também um
    um pé de figo de onde eram colhidos os figos para o doce do Natal… que saudades!!!

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  3. Marilda Carvalho Dias

    Realmente este muro tem muita história. Como a Heleninha disse, ele ia até a casa antiga da vó Helena e do vô Annibal e protegia a “casa preta”. Era preta porque nunca pintaram, a vó só caiava por dentro na época do Natal. Quando o vô Annibal resolveu construir uma nova casa, começou a comprar material de construção. Comprou tijolos e organizou-os muito bem numa pilha comprida ao lado do famoso muro. A Heleninha, o Junior e eu brincávamos de trem nesta pilha de tijolos. Nossa imaginação corria solta num maravilhoso trem de luxo que nos levava para lugares incríveis. O monte de areia era imenso, nunca mais vi um tão grande e brincávamos muito nele, apesar das broncas do vô. Como é bom ter lembranças boas, agora que aquele lugar já não é mais nosso…

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