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Trabalho de formiguinha

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Olha só: eu to com saudade de escrever. Minha rotina mudou completamente nas últimas semanas, passou da maior correria do universo a um marasmo total cercado por uma pilha de livros e um cursor do Word que não para de piscar. Isso indica que eu tenho um TCC pra fazer e que eu não vou acordar um belo dia e tchaaaaan! ele vai aparecer lindo e encadernado montado num cavalo branco em frente ao meu prédio. Como tudo tem que ser sempre muito intenso por aqui, agora eu só consigo pensar nessas sei lá quantas páginas que ainda me fazem uma universitária.

Ontem o Serra deu uma entrevista pra Band. (É, aqui a TV pega o que passa em São Paulo, o que é ótimo pra escapar dos discursos “eu sou médico e advogado” e “eu não sou político” do horário eleitoral pé vermelho). A pergunta do jornalista Rafael Colombo foi sobre questões religiosas, dizendo que em 2010, as eleições presidenciais se pautaram na discussão do aborto e, as deste ano em São Paulo, na discussão do “kit gay”. Serra responde dizendo que  “esse assuntos são colocados pela imprensa”.

Aí a pessoa que está estudando justamente a boataria das eleições de 2010 quase começou a mandar mensagens pra orientadora de madrugada, porque só ela entenderia a indignação. Como assim, “coisa da imprensa”, cara pálida? Tudo bem que os jornalões agendam o que é mais conveniente, mas 2010 não é tão longe assim pra gente esquecer que o Serra deitou e rolou em cima dos assuntos que estavam nos jornais e tentavam fazer Dilma cair nas pesquisas.

Quem lembra da Bolinha de Papel que levou o cara pra fazer uma tomografia? Quem lembra que, quando começou a história do aborto, Serra se aproveitou do assunto, até que apareceu uma ex-aluna da mulher dele dizendo que a professora havia abortado? (Tá aqui pra quem não lembra). Dizer que isso tudo “é coisa da imprensa” e que “responde o que os jornalistas perguntam” é confiar demais na falta de memória das pessoas.

Enfim, tudo isso só pra dizer que trabalhar em uma campanha e fazer um TCC sobre cobertura de eleições depois da popularização da internet me fez questionar bastante coisa. Porque, de um lado, eu acredito sim que a internet tem muito a contribuir nesse sentido, como fez em 2010, desconstruindo a boataria e não deixando uma série de assuntos serem enterrados. De outro lado, tudo o que eu vejo é jogo sujo, principalmente na internet. Aqui em Londrina, temos uma trupe de perfis falsos no Facebook que disseminam boatos e atacam candidatos. O jeito é ficar de olho bem aberto pra descobrir as sacanagens e limpar a sujeira embaixo do tapete.

O que eu percebo nas discussões políticas via internet são pessoas incapazes de fazer uma análise, que aceitam tudo o que é dito nos jornalões e pronto, sem ir atrás de maiores informações, sem investigar o passado que inevitavelmente influencia o presente. Na verdade, não faz muito tempo que eu passei a compreender isso tudo e mudar a minha postura. Devia ser assim há algum tempo, mas precisou de alguém pra dar um chacoalhão. A gente se acomoda, porque acha que precisa ter contatos, informações privilegiadas, mas não é assim. É só ter um pouco menos de preguiça e já dá pra entender e descobrir muita coisa. E claro, usar as ferramentas que estão ao nosso alcance para dividir essas informações e melhorar a qualidade dos debates sobre o que acontece no país e na cidade onde a gente mora.

É trabalho de formiguinha, mas a gente chega lá.

Essa discussão é bem grande e eu preciso correr com esse trabalho. Amanhã eu continuo aqui.

(Escrever com mais frequência, tentativa 368)

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