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Da leveza dos sabiás no meio do concreto.

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Das coisas mais legais de crescer na UEL era ver os bichos que andavam pelo Campus. Gatos, muitos cachorros (salve Getúlio, o bicho mais querido do CECA), macacos que apareciam na cantina do CESA na hora do almoço, tucano, pica-pau, uns passarinhos coloridos que eu não sei identificar, urubus que me davam medo e até um cavalo perdido no RU uma vez.

No meio dessa bagunça toda, tem uns detalhes que passam, tipo o tanto de bicho que tem na UEL. Por outro lado, o olhar de estrangeira permite perceber que aqui tem poucas pombas. Ou não tem tantas. (E toda vez que eu digo isso, preciso explicar que na minha cidade já morreu gente por causa da doença do cocô da pomba). Acho engraçado o hábito do paulistano de levar o cachorro pra todo lugar. Outro dia quase tropecei em um cachorro imenso amarrado pra fora de um restaurante japonês aqui perto de casa.

Todas as manhãs, enquanto tomo meu café na janela da cozinha, fico olhando pras árvores que tem no meio dos prédios aqui do condomínio. Embaixo da nossa janela, tem uma sibipiruna enorme e bem bonita, que fica toda agitada com os passarinhos que pulam de galho em galho. Aprendi a parar uns minutos pra olhar os passarinhos azuis, os bem-te-vis, os sabiás-laranjeira e umas maritacas barulhentas e engraçadíssimas que dão as caras de vez em quando.

Sexta-feira passada, estava voltando a pé do bar e ouvi o canto dos sabiás. Achei que tava muito tarde, mas eram só duas da manhã. Depois de umas conversas com desconhecidos, vim achando que a lógica aqui é outra. Achei que talvez a gente deva parar pra escutar os passarinhos as vezes. Que senão a gente entra nessa coisa maluca de querer mais mais mais sempre e esquece de viver. É uma lógica onde o canto do sabiá-laranjeira atrapalha seu sono de gente que precisa acordar cedo pra retomar uma rotina maluca e você nem consegue perceber que ele é bem bonito.

Segunda a Folha publicou uma matéria sobre os sabiás baderneiros que não deixam ninguém dormir. E eu, que me obrigo a todos os dias perceber qualquer detalhe que deixe mais leve esse mundo de concreto, cheio de valores, contas e coisas complexas, fiquei pensando em quem perde o sono por causa do canto dos sabiás.

 

Deve ser muito difícil.

São 1h37. Lá fora, os sabiás.

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  1. Lucas Martins

    Essa história de animais na UEL me fez lembrar de uma vez, quando estava saindo da agência de banco do Itaú, encontrei com uma ovelha – do tamanho de um bezerro, ou maior até – na calçada. Confesso que nem toda a minha bagagem rural, como morador de Planura, conseguiu diminuir a minha surpresa e espanto pelo fato. E o melhor: assim que fui caminhando, ela me seguiu por alguns passos. Acho que ela sentiu o cheiro da minha vocação pastoril para cuidar de animais. Larguei o jornalismo!

    Responder
  2. Marinoca, muito bonito seu texto, parabéns!!!
    Com saudades
    Clá!!!!!!

    Responder
  3. Marilda Carvalho Dias

    Fico muito feliz em ver uma filha amando a natureza, os sabiás e manacás…É um privilégio esta vista da janela da cozinha deste apto. Que bom Marina, a vida é bela!!!

    Responder

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